De
tempos em tempos aparecem no Brasil novas atrações turísticas naturais.
A mais recente delas é a espetacular Chapada das Mesas, um paraíso
natural que fica no sul do Maranhão, bem na divisa com o Tocantins. O
“boom” turístico local teve início na região há menos de 15 anos, quando
a cidade de Carolina despertou a atenção dos visitantes. Em Riachão, o
movimento turístico começou há 8 anos, e a cidade ainda é um laboratório
de atrativos a serem descobertos.
Carolina: o Paraíso das águas
Considerada a porta de entrada da chapada, Carolina fica pouco mais de
800 quilômetros de São Luís e a 220 de Imperatriz. Principal destino de
ecoturismo do estado do Maranhão, a área de preservação é só uma parte
de um território que guarda uma quantidade incrível de montanhas,
chapadões, rios, cachoeiras, nascentes, corredeiras e grutas. Como o
Parque ainda é recente, a maioria de suas atrações fica em áreas
particulares. A sinalização ainda é precária e são poucas atrações que
oferecem boa infraestrutura aos visitantes. Entre os lugares mais
visitados estão as cachoeiras de Carolina e os poços azuis de Riachão,
cidade que completa o maravilhoso roteiro.
O Mirante da Chapada das
Mesas também merece sua visita. É um parque que explora o turismo
contemplativo e abriga uma enorme serra com quase 14 mil metros
lineares de extensão, e altitudes que variam de 309 a 420 metros de
altura. As novas trilhas levam ao alto da serra de onde pode ser vista a
exuberante vegetação do Cerrado, além do contato direto com pés de
bacuri, araçá e mais de três dezenas de plantas medicinais.
Dentro
do mesmo local, o Caminho das Pedras construído pelos primeiros
habitantes da região, uma mistura de arquitetura e interrogações,
afinal, se trata de um filamento de pedras que possivelmente foram
utilizadas para rituais indígenas, e que vem sendo objeto de estudo. Mas
a região guarda ainda em suas terras pinturas rupestres, lagos, rios, e
outras atrações que esperam a descoberta dos turistas.
Nem mesmo os
guias sabem afirmar o número exato de cachoeiras e atrativos, mas juram
que ainda há atrações a descobrir. Enormes pedras que despontam no topo
e lembram mesas de vários tamanhos, rios e nascentes com águas mornas,
formações rochosas exuberantes, além de rica fauna e flora, fazem
dessa região uma aposta certeira de que os atrativos do Maranhão não se
limitam apenas à sua bela capital e a região dos Lençóis.
A Chapada
das Mesas pode ser curtida e aproveitada durante todo ano. Do alto do
Morro do Chapéu, o mais impactante deles, parece que a Chapada não tem
fim. Cenários belíssimos e dezenas de mesetas enfeitam a paisagem. No
infinito, o contorno mágico do Rio Tocantins, uma dos mais belos que já
tive a oportunidade de ver.
Somente
em Carolina, já foram catalogadas mais de 100 cachoeiras além de 400
nascentes e, por isso, a cidade tem o apelido de “Paraíso das Águas”, ou
Planeta Água! Ela é base para explorar outras atrações da região, como
Riachão, com lagos de cor azul turquesa, Tasso Fragoso, com suas
pinturas rupestres, e a vizinha Filadélfia, já no estado de Tocantins,
do outro lado do rio, e que oferece praias e paisagens indescritíveis.
Estância Ecológica Vereda Bonita: Lição de preservação!
As
trilhas foram desenvolvidas para os visitantes que vão desfrutar da
prática de caminhada rústica, dos banhos em piscinas naturais e
cachoeiras de águas cristalinas, e que possam também despertar a
consciência ecológica nos visitantes. Marcelo Assub já tem experiência
com a atividade turística há mais de 20 anos. Paulistano, ele resolveu
investir na região. É proprietário da Estância Ecológica Vereda Bonita,
bem no entorno do Parque. Pode-se afirmar que o local é o mais novo
atrativo turístico da região. Ali, os turistas realizam trilhas
ecológicas, sempre acompanhadas por guias, que discorrem sobre a
importância do meio ambiente em suas vidas. No local, o turista planta
uma muda de árvore e ajuda a preservar uma área que antes servia aos
caçadores de animais silvestres.
Pinturas Rupestres em Tasso Fragoso
É no município de Tasso Fragoso que está a maior referência maranhense
em sítios arqueológicos – devido à relevância do patrimônio. Lá se
concentra o maior número de sítios arqueológicos do Maranhão. As
descobertas feitas até o momento revelam a existência de vestígios como
gravuras rupestres no interior de grutas e paredões rochosos em serras
de arenito.
Os
vários sítios arqueológicos identificados até agora mostram uma
estratégia peculiar: os abrigos localizados próximos a cursos d’água e
em encostas. Com isso, os ocupantes tinham maior facilidade para obter
alimentos e matéria-prima para elaborar objetos e ferramentas do dia a
dia, além de proteção e abrigo contra os perigos naturais de grupos
inimigos e da própria selva.
Já foram encontrados vários objetos
líticos lascados como machadinha, cerâmicas, várias pedras de cortes,
raspadores e dois moedores. No Maranhão, a maioria da população ainda
desconhece a riqueza arqueológica do estado no que consiste aos
registros rupestres.
A cidade ainda tem pouca estrutura para receber
turistas, dispondo de apenas dois pequenos meios de hospedagem, mas
vale dar uma esticadinha e explorá-la.
O Azul intenso das lagoas de Riachão
Riachão é um antigo distrito de Carolina que foi elevado à categoria de
vila em 19 de abril de 1833. A cidadezinha é charmosa, porém ainda com
pouca estrutura de hospedagem: são apenas cinco pousadas.
Experimentar a vida ao ar livre, visitar cenários majestosos como as
montanhas de arenito que servem de berçário as araras Canindé, vermelhas
e azuis, a lagoa rodeada de carnaúbas frondosas ou mergulhar nas águas
quentinhas do balneário municipal são apenas algumas das possibilidades
de interação com a vida do campo. A observação de pássaros também é uma
atividade nova.
Grande
parte das terras de Riachão está preservada dentro do Parque da
Chapada das Mesas. Uma regra básica é não esquecer a máscara de mergulho
e a câmera a prova d’água. O centrinho da cidade é puro charme, com
pracinha, coreto, jardins, fonte e a charmosa matriz de Nossa Senhora da
Conceição que abraça toda a região central.
Cachoeiras, rios e nascentes
Para conhecer as atrações da Chapada das Mesas, você precisará de, pelo
menos, cinco dias completos. Aproveite para relaxar nas cachoeiras, para
mergulhar em lagoas cristalinas e apreciar cada minuto as trilhas.
Você pode começar o seu roteiro visitando as Cachoeiras de Itapecuru,
ou também conhecida como cachoeiras gêmeas. Aqui, há infraestrutura para
você passar a manhã inteira curtindo as águas que despencam de duas
lindas quedas, formando um imenso lago onde você também pode andar de
caiaque. Ela fica no povoado de São João das Cachoeiras, a 30
quilômetros do centro de Carolina.
Depois
do almoço visite o Balneário Queda D’água, onde a barragem de uma
antiga hidrelétrica se transformou em piscina. Mais tarde, siga para a
Cachoeira do Dodô. Ela é uma das menores, mas é uma das mais queridas
da Chapada. No fim do dia, volte para Carolina e corra para ver o pôr do
sol no Rio Tocantins, talvez o mais lindo que você verá nesta região.
Aproveite para praticar o relaxante stand up paddle nas águas
cristalinas do Rio Tocantins, operada pela agência Torre da Lua.
No
dia seguinte, tome um café da manhã reforçado e comece o seu roteiro
adentrando numa grande área do Parque, onde estão duas das mais
exuberantes cachoeiras da Chapada das Mesas: a de São Romão é a mais
volumosa delas, e a Cachoeira da Prata, tem esse nome por causa dos
reflexos do sol que deixam suas águas metalizadas. São 85 quilômetros de
viagem, sendo que 50 deles em estrada de chão. Justamente por isso,
indicamos que você contrate um guia e use apenas veículos 4X4. Consulte
os serviços da Cia do Cerrado, Ilton Tour ou Zeca Tour, as agências mais
solicitadas da região.
Quando a noite cair, aproveite para
caminhar na área central de Carolina e conheça um pouco de seus mais de
200 prédios históricos. O Museu Histórico é imperdível com ótimas
exposições temporárias e salas temáticas. Em Carolina existem boas
opções de bares e restaurantes e uma grande diversidade de opções de
hospedagem.
Mais
um dia se anuncia. Aproveite para curtir o Complexo da Pedra Caída, que
oferece uma grande infraestrutura. A 36 quilômetros do centro de
Carolina em direção a Imperatriz, o complexo tem uma enorme área
destinada ao turismo de aventura. São nada menos que 25 quedas d’água,
sendo que a principal delas é a Cachoeira do Santuário, um dos passeios
mais emocionantes do roteiro. A queda despenca de uma altura de 46
metros. Por estar escondida no fundo de um cânion, quando você termina a
trilha e vê a sua grandeza a emoção é indescritível. O local oferece
várias tirolesas. Uma delas tem 1.400 metros de comprimento e fica a
392 metros de altura, sendo a mais alta da América do Sul e a segunda
mais extensa do país – a primeira fica na cidade de Pedra Bela, em São
Paulo.
Antes de o dia terminar, siga para o Portal da Chapada para
ver a paisagem a partir de uma abertura natural esculpida no arenito.
De lá é possível apreciar boa parte da extensa vegetação, os Pilares da
Chapada e o fabuloso Morro do Chapéu em todo o seu esplendor. A subida é
íngreme e exige bastante preparo físico. Leve água em abundância para
hidratar-se, além de óculos escuros e protetor solar. Não perca o pôr do
sol!
Poço Azul, Encanto Azul e mais cachoeiras
Começamos nosso roteiro por Riachão visitando o Encanto Azul e as suas
cachoeiras. Embarcamos na caminhonete 4X4 e podemos afirmar que o
roteiro é uma aventura “off road”. A estrada de terra é belíssima e de
hora em outra nos deparamos com raposas, revoada de maritacas e até
alguns casais de seriemas. Num percurso de pouco mais de 25 km partindo
do centro da cidade até chegar à propriedade privada, ainda com modesta
infraestrutura, – só uma lojinha que vende água e refrigerante e que
fica bem na entrada do atrativo.
O
nome faz jus ao local: águas transparentes, de um belíssimo azul,
cercadas de enormes rochas de arenito e árvores nativas e frutíferas do
cerrado. Perfeito para a prática do snorkeling, sempre na companhia de
pequenos peixes. É impossível resistir! Não fosse pelos demais atrativos
ainda por visitar, teria sido fácil permanecer ali o dia todo. No
Encanto Azul, o valor de entrada é de R$ 20,00 por pessoa.
Para
encerrar com “chave de ouro” a sua viagem, vá ao Poço Azul. Num raio de
600 metros estão, além do lago, outras seis cachoeiras, cada uma com sua
peculiaridade. É cobrada taxa de R$ 50,00 por pessoa e o acesso é
facilitado por meio de seguras passarelas de madeira.
Passamos pelas
pequenas Cachoeiras de Santa Paula e do Moreno e seguimos para a
Cachoeira de Santa Bárbara, a mais alta da região, com 75 metros. A
força da queda gera uma névoa contínua e é bom ter cuidado com
equipamentos eletrônicos. A imagem dela é estonteante e um mergulho com
um jaleco salva vidas é recomendável.
Depois
seguimos para o Poço Azul, o ponto alto da nossa viagem. O local é uma
área privada com diversas cachoeiras, piscinas naturais e estrutura para
hospedagem e atividades de ecoturismo. As atrações mais famosas
possuem acesso por passarelas de madeira construídas entre os enormes
penhascos. A subida exige bastante fôlego para quem está fora de forma,
mas o esforço é recompensado depois de curtir as águas cristalinas da
região.
O Poço Azul é a última atração e a mais cobiçada. A enorme
piscina natural tem 5 metros de profundidade e seu fundo é coberto de
pedras de calcário, deixando a água com visibilidade 100%. É abastecido
com as águas quentinhas do Rio Cocal, sempre com uma temperatura de 22
graus, ideal para aliviar do calor constante. No lado próximo ao
penhasco, é possível se refrescar em algumas pequenas cachoeiras que
desembocam no poço. Outra atração é banhar-se na Cachoeira D. Luiza,
também muito bela.
Tinha tanta coisa pra falar que não deu pra
discorrer sobre a gastronomia. Mas posso afirmar que em qualquer das
cidades você irá se deliciar com a galinha caipira, a carne de sol, os
peixes fresquíssimos, a deliciosa farinha de mandioca e os sucos de
frutas naturais, como maracujá, goiaba, abacaxi e bacuri.
Tenha a
certeza de uma coisa: a Chapada das Mesas e suas belas cidades não é um
produto turístico para as grandes massas. Ecossistema frágil, mesetas e
morros esculpidos pela ação do vento e das chuvas, abundância de
nascentes e um espetáculo único que a natureza nos oferece. Aposte nesse
roteiro. Bálsamos para os olhos, fortalecimento do espírito e um
reencontro com uma palavra pequena, mas de enorme profusão: a Paz!